A aplicação prática da Norma Regulamentadora 1 (NR1) e os desafios enfrentados pelos bancários foram o centro das discussões no encontro promovido pelo Coletivo de Saúde da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS), em Porto Alegre, na quarta-feira, 28. Com mediação da assessora do Departamento de Saúde, Jacéia Netz, a atividade buscou ampliar o entendimento dos dirigentes sindicais sobre o tema.
Jacéia detalhou o caminho para a aplicação efetiva da NR1, estruturado em três etapas iniciais fundamentais. O primeiro passo é o mapeamento de riscos, que exige a participação direta dos trabalhadores para identificar detalhadamente os processos, rotinas e ambientes da organização. Na sequência, realiza-se o diagnóstico, fase em que se avalia a probabilidade de ocorrência do dano em relação à gravidade de potenciais lesões ou agravos à saúde. A partir dessas etapas, constrói-se o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), reunindo um inventário de riscos e um cronograma com medidas coletivas, administrativas e preventivas para mitigá-los.
Durante o debate, os dirigentes sindicais trouxeram relatos sobre a rotina dos trabalhadores: o avanço do adoecimento relacionado ao trabalho e a dificuldade de reconhecer esse impacto, muitas vezes omitido por constrangimento perante colegas e lideranças.
Outro obstáculo apontado foi o receio dos bancários em participar de pesquisas internas. A exposição de dados pessoais, como o CPF, e o medo de sofrer retaliações caso façam avaliações negativas das empresas afastam a categoria dos processos de identificação de riscos.
Para orientar a atuação dos sindicatos no enfrentamento a essas barreiras e dar continuidade às trocas de experiências e ao aprofundamento do tema, uma nova reunião foi agendada para o dia 18 de agosto.
Texto: Thayssa Kruger/Fetrafi-RS