O dia 13 de maio de 1888 foi marcado pela sanção da Lei Áurea, que seria a abolição da escravatura, assinada pela princesa Isabel. Hoje, 138 anos depois, a pergunta que fica é a seguinte: é possível pensar que a escravidão acabou? Na época, abolicionistas comemoraram o grande feito, enquanto os escravistas ficaram indignados, e setores do movimento negro criticavam a forma como tudo ocorreu.
A promessa da Lei Áurea era extinguir por completo a escravatura no Brasil, porém, o que aconteceu após a data reflete até os dias atuais. A proposta não promoveu a inserção social, econômica ou educacional da população negra, o que fez que boa parte das pessoas continuassem servindo como se escravizados ainda fossem. Ou seja, foram libertos, mas sem acesso à terras, moradia ou indenização, o que gerou uma crescente na desigualdade, na pobreza e no racismo estrutural.
Foram mais de 300 anos de trabalho escravizado movimentando as atividades econômicas do país, como extração de ouro e pedras preciosas, cana de açúcar, criação de gado e plantação de café. E nenhum retorno econômico para os escravizados. Em troca, parte da população negra migrou para os centros urbanos, ocupando zonas periféricas, e outra parte, sem muita opção, permaneceu nas fazendas para ter um lugar para morar.
O cenário atual
O reflexo da escravidão é visto no dia a dia, ao observarmos os trabalhadores da limpeza, as trabalhadoras domésticas que, em muitos casos, moram no trabalho, no “quartinho da empregada” e que “são quase da família”.
No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Igualdade Racial e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 56% da população brasileira é negra (45,3%, pardos, e outros 10,6%, pretos), ou seja, mais da metade da população. Porém, as boas oportunidades ainda caminham lentamente na direção da população negra, assim como, os corpos negros são os mais marginalizados e mirados na linha do genocídio. De 2013 à 2023, foram 441.900 corpos negros mortos, conforme dados do Atlas da Violência 2025, do Instituto de Pesquisa e Ecônomica Aplicada (Ipea).
Mesmo depois de mais de 100 anos, ainda é necessário seguir lutando por reparação histórica. A abolição não significou liberdade plena para a população negra. E enquanto o racismo estrutural continuar determinando quem ocupa os piores empregos, quem recebe os menores salários, quem mais sofre violência e quem tem menos acesso a direitos, a luta por justiça racial seguirá sendo urgente.
O 13 de maio não é uma data para celebrar, mas de questionar as estruturas que permanecem reproduzindo desigualdades até hoje. Reparação histórica, combate ao racismo e garantia de dignidade para a população negra são compromissos do presente e do futuro.
Jornalista/Fonte
Daniele Brito / SindBancários